O Processo (Franz Kafka)
22 Janeiro 2009
Imerso em uma atmosfera absurda, O Processo, de Franz Kafka, desenvolve-se com a acusação, julgamento e condenação de Josef K., procurador de um banco que se vê, de uma hora para outra, enredado com uma justiça desconhecida por ele até então. A situação torna-se exasperante à medida que K. percebe que não é possível saber do que é acusado, muito menos a quantas anda seu processo ou a quem recorrer. Entre advogados, juízes, funcionários públicos e figuras corriqueiras da sociedade, a corrupção deixa de tomar um lugar tangente e encontra-se como uma solução viável e plausível à medida que K. encontra-se cada vez mais imerso no processo, dando-lhe uma importância cada vez maior.
Seria K. culpado? Mas, culpado de quê? É o que frequentemente se pergunta. Seria sua culpa apenas o fato de admitir a possibilidade de ser culpado? E onde estará o absurdo de toda a trama que se desenvolve? Um sistema que se mostra fechado a questionamentos e explicações, que julga e condena de antemão a todos os que lhe convém, seria um sistema absurdo? Ou o absurdo está em alguém aceitar submeter-se a esse sistema?
Tão real quanto absurdo, O Processo não traz respostas, mas expõe as chagas de uma sociedade que afunda-se na ignorância dos que a sustenta e na arrogância e ganância dos que a exploram.
Título: O Processo
Autor: Franz Kafka
Ano: 2002 (primeira edição, 1925)
ISBN: 85-72-32414-3
Coleção: A Obra-Prima de Cada Autor
Editora: Martin Claret
